Chamados para ensinar, preparados para servir
Identidade, missão e desafios no ensino das diferentes gerações
Antes de perguntar como ensinar, precisamos perguntar quem somos e a quem ensinamos
Quando falamos sobre Escola Bíblica Dominical, é comum que nossa primeira preocupação esteja relacionada à aula: qual será o tema? Que conteúdo precisamos apresentar? Qual atividade podemos realizar? Que recurso podemos utilizar?
Essas perguntas são importantes. Mas, antes delas, existe uma questão ainda mais fundamental:
Quem é o professor que entra naquela sala?
E há uma segunda pergunta inseparável da primeira:
Quem são as pessoas que estão sentadas diante dele?
Essas duas perguntas orientam nossa primeira reflexão. A Escola Bíblica Dominical não é simplesmente um espaço de transmissão de informações religiosas. Ela participa da missão da Igreja de ensinar a Palavra de Deus e formar discípulos. Por isso, o professor não pode compreender sua função apenas como alguém que ocupa uma sala durante determinado período da semana.
O professor trabalha com pessoas. Mais do que isso: trabalha com pessoas que estão em diferentes momentos de sua caminhada, possuem diferentes experiências e estão vivendo diferentes processos de formação. Uma criança não chega à sala da EBD da mesma maneira que um adolescente. Um adolescente não aprende e não formula suas perguntas da mesma maneira que um adulto. Um adulto não chega à classe sem história, e um idoso não deve ser visto apenas como alguém que precisa receber conteúdo.
Cada pessoa chega carregando uma história diante de Deus. É por isso que o professor da EBD precisa unir duas responsabilidades: fidelidade à Palavra e sensibilidade às pessoas. Não podemos abrir mão de nenhuma delas. Se perdemos a fidelidade bíblica, deixamos de cumprir a natureza do ensino cristão. Se perdemos a sensibilidade às pessoas, corremos o risco de falar uma verdade correta de uma maneira que não alcança aqueles que estão diante de nós. A questão, portanto, não é escolher entre Palavra e pessoas.
É compreender que ensinamos a Palavra de Deus a pessoas reais.
O primeiro ponto que precisamos recuperar é a natureza espiritual do ensino.
Paulo escreve:
A expressão é breve, mas contém uma exigência significativa: se recebemos a responsabilidade de ensinar, precisamos nos dedicar ao ensino.
Isso significa que o professor da EBD não deve enxergar sua função como simples ocupação de uma escala.
Há uma diferença entre preencher uma necessidade e assumir uma responsabilidade ministerial.
Às vezes, uma igreja precisa de professores e alguém é convidado porque está disponível. Isso pode acontecer e faz parte da realidade das comunidades. Mas, uma vez que assumimos a função, não podemos tratá-la como algo secundário.
O ensino cristão exige responsabilidade. Tiago afirma:
O apóstolo Tiago não está desencorajando o ensino. Ele está mostrando a seriedade de ocupar a posição de mestre. Por quê?
Porque aquele que ensina não trabalha apenas com informações.
Palavras formam pessoas.
Aquilo que ensinamos sobre Deus, sobre a Igreja, sobre a vida cristã, sobre pecado, graça, família, sofrimento, santidade e esperança participa da formação da fé daqueles que nos ouvem. Por isso, ensinar é uma responsabilidade espiritual.
Aqui precisamos corrigir uma ideia que pode aparecer no contexto da Igreja: "Se Deus me chamou para ensinar, Ele vai me capacitar."
Sim. Deus capacita seus servos. Mas a capacitação divina não significa ausência de estudo, disciplina ou preparação.
Paulo diz a Timóteo:
Observe a combinação:
Portanto, vocação não é desculpa para improvisação. Ao contrário: quanto mais levamos o chamado a sério, maior deve ser nosso compromisso com a preparação.
É justamente aqui que podemos compreender a expressão do tema geral desta formação: "Chamados para ensinar, preparados para servir."
O preparo não compete com a espiritualidade. O preparo faz parte do serviço.
Existe uma dimensão do ministério do professor que nenhuma metodologia consegue substituir: o testemunho.
Paulo pôde dizer aos coríntios:
E, escrevendo a Timóteo, recomenda:
Esses textos nos lembram de algo fundamental: o professor não ensina apenas quando está falando.
Isso não significa que o professor precise ser perfeito. Nenhum de nós é.
Significa que precisamos ser coerentes e ensináveis.
O aluno não precisa encontrar diante de si uma pessoa que nunca erra. Precisa encontrar alguém que leve a sério a própria caminhada com Cristo.
Por isso, talvez uma das perguntas mais importantes para o professor da EBD seja:
"O que meus alunos aprendem sobre a vida cristã simplesmente observando a maneira como eu vivo?"
Se já compreendemos quem somos, precisamos perguntar: o que fazemos quando ensinamos?
Uma visão reduzida do professor entende sua função assim:
Mas o ensino cristão é mais amplo. Em Mateus 28.19-20, Jesus não ordena apenas que seus discípulos transmitam informações. Ele os envia para fazer discípulos, ensinando-os a guardar tudo aquilo que Ele havia ordenado.
O ensino está ligado à formação de discípulos.
Isso muda nossa compreensão da aula. Nosso objetivo não pode ser simplesmente: "Terminar a lição."
Precisamos perguntar:
"O que eu quero que meus alunos compreendam, reflitam e vivenciem a partir desta verdade bíblica?"
Uma aula pode terminar com todo o conteúdo apresentado e, ainda assim, não ter produzido aprendizagem significativa. Da mesma maneira, uma aula pode não utilizar muitos recursos e ser profundamente formativa. O centro não está na quantidade de recursos.
Está na intencionalidade do ensino.
Aqui chegamos ao coração da primeira plenária.
A Palavra é a mesma. As pessoas não são.
Isso significa que o professor precisa conhecer aqueles a quem ensina. Conhecer não significa invadir a vida do aluno. Significa perceber:
Isso não relativiza a verdade bíblica. Ao contrário. A verdade permanece. O que muda é a forma como procuramos torná-la compreensível.
Podemos perceber isso no ministério de Jesus. Jesus ensinava multidões, mas também conversava individualmente. Ensinava homens e mulheres. Ensinava pessoas familiarizadas com as Escrituras e pessoas que estavam apenas começando a compreender suas palavras. Utilizava perguntas, parábolas, imagens, acontecimentos cotidianos e diálogos.
Isso não significa que Jesus estivesse simplesmente aplicando uma "técnica pedagógica".
Significa que Ele conhecia as pessoas com quem falava e comunicava a verdade de maneira que elas pudessem compreender.
Quando olhamos para Jesus, encontramos uma característica extraordinária:
Ele nunca sacrificou a verdade para alcançar as pessoas. Mas também nunca utilizou a verdade como desculpa para ignorar as pessoas.
Essa tensão é fundamental para o professor da EBD.
Jesus ensinava com autoridade, mas também com proximidade. Ensinava multidões, mas percebia indivíduos. Fazia perguntas. Escutava respostas. Provocava reflexão. Corrigia. Confrontava. Consolava. Utilizava situações concretas para conduzir seus ouvintes a verdades espirituais.
Em João 4, por exemplo, a conversa com a mulher samaritana começa em torno de uma necessidade concreta: água. A partir daquela situação cotidiana, Jesus conduz a conversa para questões profundamente espirituais.
Isso nos ensina uma importante lição:
O cotidiano das pessoas pode ser uma porta de entrada para o ensino da verdade bíblica.
O professor da EBD precisa aprender a fazer essa ponte.
Se o professor ensina pessoas, precisamos abandonar a ideia de que existe uma única maneira de ensinar que funcionará igualmente para todos.
Não significa criar uma "Bíblia diferente" para cada idade. A Palavra continua sendo a Palavra. O conteúdo da fé continua sendo essencial.
O que precisa ser considerado é a maneira como diferentes pessoas compreendem, perguntam, participam e aplicam aquilo que aprendem.
Por isso, precisamos olhar para cada segmento.
Jesus disse:
A presença das crianças na Igreja não é um detalhe. Elas não são apenas "a Igreja do futuro". São pessoas que precisam ser acolhidas, ensinadas e discipuladas no presente.
Na infância, o professor participa da construção dos primeiros referenciais da fé. Por isso, ensinar crianças exige mais do que reduzir o conteúdo dos adultos. A criança precisa de linguagem compreensível, experiências concretas, repetição, histórias, participação, movimento e vínculo. Mas há algo ainda mais importante:
A criança precisa perceber que é amada e acolhida.
O professor infantil não está apenas contando histórias bíblicas. Está ajudando a construir memórias relacionadas à comunidade de fé.
Por isso, precisamos perguntar:
"Que experiência de Igreja estamos proporcionando às nossas crianças?"
A pré-adolescência é marcada por novas descobertas. É uma fase em que as perguntas começam a ganhar força.
Por isso, o professor precisa aprender a não tratar perguntas como ameaça.
Uma pergunta pode ser o início de uma oportunidade de ensino.
O professor precisa criar um ambiente em que o aluno possa perguntar e, ao mesmo tempo, aprender a buscar respostas nas Escrituras.
Aqui, o sentimento de pertencimento também é importante. O pré-adolescente precisa saber:
"Eu tenho lugar aqui."
Na adolescência, muitas questões relacionadas à identidade, pertencimento, escolhas, relacionamentos e futuro tornam-se mais intensas.
Por isso, uma EBD que apenas entrega respostas prontas pode perder uma oportunidade preciosa de formação. Isso não significa relativizar a verdade.
Significa ensinar o adolescente a pensar biblicamente sobre suas perguntas.
O professor não precisa ter resposta imediata para tudo. Pode dizer:
"Essa é uma pergunta importante. Vamos estudar juntos."
Isso não diminui sua autoridade. Pode, inclusive, fortalecê-la. Porque ensina ao adolescente que a fé cristã não precisa fugir das perguntas.
Com os jovens, o ensino precisa dialogar com as decisões concretas da vida.
Paulo escreve:
A formação cristã precisa alcançar a maneira como o jovem pensa, escolhe e interpreta o mundo.
Por isso, o professor de jovens não deve apenas perguntar: "O que você sabe sobre a Bíblia?"
Também precisa perguntar:
"Como a Bíblia orienta a maneira como você compreende sua vida e suas escolhas?"
O adulto chega à EBD trazendo uma história. Ele traz experiências de casamento, trabalho, criação de filhos, perdas, responsabilidades, alegrias, frustrações, decisões e relacionamentos.
Isso significa que o professor de adultos não está ensinando para uma folha em branco: há conhecimentos prévios, experiências, perguntas e, inclusive, convicções que precisam ser examinadas à luz da Escritura.
Por isso, uma boa aula para adultos não significa simplesmente permitir que todos contem suas experiências. Significa criar espaço para que a experiência seja iluminada pela Palavra de Deus.
A experiência não é a autoridade final. A Escritura é. Mas a experiência pode se tornar um ponto de partida para reflexão e aplicação.
Também precisamos olhar com atenção para nossos idosos. Às vezes, uma visão equivocada do ensino pensa que o idoso é apenas alguém que precisa continuar aprendendo.
Mas a Bíblia apresenta a experiência e a transmissão da fé entre gerações como algo precioso. O Salmo 78 afirma:
A formação cristã também envolve memória e transmissão. Assim, o professor de idosos precisa reconhecer que ali existem histórias de fé, experiências, testemunhos e conhecimentos que podem edificar toda a comunidade.
Isso não significa romantizar a velhice ou presumir que todos os idosos possuem as mesmas necessidades. Significa reconhecer:
Há conhecimento que precisa ser aprendido e há conhecimento que precisa ser compartilhado.
Depois de percorrer os segmentos, chegamos a uma conclusão importante. Não precisamos formar "um professor diferente para cada faixa etária".
Precisamos formar professores capazes de compreender as pessoas que Deus colocou diante deles.
O princípio pode ser resumido assim:
A verdade não muda. O propósito não muda. Cristo não muda. Mas os caminhos de comunicação podem mudar.
É aqui que a competência pedagógica se torna parte da responsabilidade ministerial. O professor precisa perguntar:
E então:
"Qual é a melhor maneira de ensinar esta verdade a estas pessoas?"
Há uma última questão que precisamos considerar. Talvez alguns professores estejam pensando: "Eu não tenho formação pedagógica." "Tenho dificuldade com tecnologia." "Não sei trabalhar com adolescentes." "Tenho medo de falar para adultos." "Não tenho tanta experiência."
A resposta para essas inseguranças não deve ser culpa.
Deve ser disposição para aprender.
O professor cristão precisa permanecer ensinável. Provérbios afirma:
Um professor que continua aprendendo oferece aos seus alunos algo muito precioso: o exemplo de alguém que reconhece que também está em processo de formação.
Portanto, a pergunta não é: "Eu já sou um professor excelente?"
A pergunta é:
"Estou disposto a me tornar um professor melhor para servir melhor?"
Ao longo desta primeira plenária, percorremos duas perguntas.
Quem somos?
Somos servos chamados ao ministério do ensino, responsáveis diante de Deus pela maneira como comunicamos sua Palavra. Não somos os donos da mensagem. Somos seus servos. Não somos o centro da aula. Cristo é o centro. Não ensinamos para demonstrar o quanto sabemos. Ensinamos para que outros conheçam melhor a Deus e sejam formados na fé.
A quem ensinamos?
Ensinamos pessoas: crianças, pré-adolescentes, adolescentes, jovens, adultos e idosos. Pessoas diferentes, com histórias diferentes, mas todas dignas de serem ensinadas com respeito, amor e excelência.
Por isso, nosso desafio pode ser resumido em três palavras:
Talvez, ao final desta primeira plenária, a pergunta mais importante não seja: "Será que minha aula é boa?"
Mas:
"Será que estou olhando para meus alunos como pessoas que Deus me confiou para ensinar?"
Porque quando mudamos a maneira de enxergar nossos alunos, também começamos a mudar a maneira de preparar nossas aulas. E é justamente aí que a próxima plenária nos levará.
Se temos um chamado para ensinar, como devemos nos preparar para cumprir esse chamado? Se recebemos pessoas para ensinar, que exigências Deus coloca sobre aquele que ensina? Se Jesus é nosso Mestre, o que podemos aprender com Ele sobre prática, planejamento, preparo bíblico e oração? É sobre essas exigências que continuaremos nossa formação.
Preparo, excelência e dependência de Deus
Na primeira plenária, partimos de duas perguntas: Quem somos? e A quem ensinamos?
Compreendemos que o professor da EBD é chamado ao ministério do ensino e que sua responsabilidade envolve pessoas concretas, inseridas em diferentes fases da vida.
Agora precisamos avançar. Se reconhecemos que ensinar é uma responsabilidade diante de Deus e se reconhecemos que ensinamos pessoas reais, surge uma terceira pergunta:
Como devemos nos preparar para cumprir essa responsabilidade?
Essa pergunta é importante porque existe uma tentação recorrente no ministério cristão: imaginar que boa intenção substitui o preparo. Mas boa intenção não substitui conhecimento. Experiência não substitui planejamento. Conhecimento não substitui oração. E a metodologia não substitui fidelidade à Palavra.
O professor da EBD precisa integrar todas essas dimensões. Paulo escreve:
A palavra dedicação é fundamental para nossa reflexão. Se ensinar é uma responsabilidade recebida, então precisamos tratar essa responsabilidade com seriedade.
O livro Exigências do Ensino na Escola Dominical, de Isaque Costa Soeiro, nos ajuda justamente a pensar nessa direção, ao chamar atenção para exigências concretas do ministério de ensino. Em nosso material, essas exigências serão organizadas em quatro dimensões: prática didática, planejamento, preparo bíblico e doutrinário e consagração à oração.
Essas quatro dimensões não competem entre si. Elas se complementam. Podemos representá-las assim:
Comecemos por uma pergunta bastante simples: é possível conhecer a Bíblia e, ainda assim, ensinar mal?
Sim. E essa afirmação precisa ser dita com cuidado. Não estamos afirmando que uma boa metodologia seja mais importante do que a Palavra. Estamos afirmando que conhecer a Palavra e saber comunicá-la são responsabilidades diferentes, embora inseparáveis.
Um professor pode dominar determinado conteúdo e não conseguir torná-lo compreensível aos seus alunos. Pode falar durante toda a aula e perceber, ao final, que quase ninguém participou. Pode apresentar muitas informações e produzir pouca compreensão. Pode terminar a lição e não ter criado nenhuma oportunidade para que o aluno pense sobre o que aprendeu. Por isso, a primeira exigência é a prática didática.
Uma concepção muito simples de ensino poderia ser representada assim:
Mas sabemos que aprender é mais complexo. O aluno precisa compreender, relacionar, questionar, interpretar, lembrar e aplicar. Isso não significa transformar a EBD em uma sala de aula secular. Significa reconhecer que a comunicação da verdade exige atenção àqueles que a recebem.
E aqui Jesus é nosso grande modelo.
Nos Evangelhos encontramos Jesus utilizando perguntas, parábolas, diálogos, imagens, exemplos cotidianos e situações concretas. As parábolas, por exemplo, partem frequentemente de realidades conhecidas pelos ouvintes para conduzi-los à compreensão de verdades do Reino.
Jesus fala de sementes, de pesca, de agricultura, de festas, de famílias, de trabalhadores, de moedas, de casas, de caminhos. Isso revela algo importante:
A verdade pode ser profunda sem precisar ser incompreensível.
Jesus não simplificava a verdade para torná-la agradável. Ele encontrava caminhos para comunicá-la.
No diálogo com a mulher samaritana, em João 4, por exemplo, uma conversa iniciada em torno da água conduz progressivamente a questões espirituais profundas. O professor da EBD precisa aprender a construir essas pontes.
Aqui precisamos fazer uma ressalva. Existe também o perigo de transformar a didática em espetáculo. Uma aula pode ter vídeos, dinâmicas, slides, perguntas e atividades e, ainda assim, não ensinar adequadamente.
Por isso, não perguntamos primeiro: "Que dinâmica vou fazer?"
Perguntamos: "O que meus alunos precisam aprender?" Depois: "Qual procedimento poderá ajudá-los a compreender essa verdade?"
O método é instrumento. A Palavra é o conteúdo. A formação do aluno é o propósito. E Cristo permanece no centro.
Ao preparar uma aula, pergunte:
"O método que escolhi ajuda meus alunos a compreenderem melhor a verdade bíblica?"
Se a resposta for sim, utilize-o. Se não, descarte-o. Não precisamos usar métodos para parecer modernos. Precisamos utilizar recursos que favoreçam o ensino.
Agora avancemos para uma segunda questão. Se sabemos o que queremos ensinar, precisamos planejar como ensinaremos?
Precisamos. Planejamento não é falta de fé. Planejamento é responsabilidade.
Às vezes, ouvimos: "Não preciso planejar muito; na hora o Espírito Santo me dará o que falar."
Precisamos ter cuidado com essa afirmação. É verdade que dependemos do Espírito Santo. É verdade que Deus pode nos surpreender. É verdade que uma aula pode tomar rumos que não havíamos previsto. Mas nada disso transforma o improviso em virtude.
A Bíblia não coloca essas duas coisas em oposição. Neemias planejou. José administrou. Paulo organizou viagens e equipes. Jesus organizou momentos de ensino e formação dos discípulos.
Em Lucas 14.28, Jesus utiliza o exemplo de alguém que deseja construir uma torre e precisa primeiro calcular os custos. Planejar faz parte da sabedoria.
Confiar em Deus não significa abandonar a responsabilidade de preparar-se.
Outro equívoco é pensar: "Se planejei, não posso mudar."
Não. Um bom planejamento cria direção, não prisão. O professor pode preparar uma aula e perceber que determinada pergunta exige mais tempo. Pode perceber que os alunos não compreenderam um conceito. Pode modificar uma atividade. Pode deixar uma questão para a próxima aula. A flexibilidade é possível justamente porque existe uma estrutura inicial.
Planejamento oferece direção; sensibilidade oferece flexibilidade.
Por isso, sugerimos que o professor desenvolva o hábito de preparar um plano de aula. Não precisa ser complicado. Pode conter:
O plano não substitui o professor. Ele ajuda o professor a servir melhor.
Chegamos agora ao centro do ministério do professor: aquilo que ensinamos precisa ser verdadeiramente compreendido por nós.
A EBD não existe para reproduzir opiniões pessoais. Não existe para oferecer apenas frases motivacionais. Não existe para transformar cada lição em uma coleção de histórias. Seu fundamento é a Palavra de Deus. Por isso, o professor precisa estudar.
Existe um risco que podemos chamar de fragmentação bíblica. Abrimos a Bíblia. Encontramos um versículo. Retiramos uma frase. Construímos uma aplicação. E seguimos adiante. Mas interpretar a Bíblia exige atenção ao contexto.
O professor não precisa ser um especialista acadêmico em todas essas áreas. Mas precisa desenvolver uma postura de estudante responsável da Palavra.
Os Evangelhos apresentam Jesus recorrendo constantemente às Escrituras.
Isso revela a centralidade da Palavra em seu ministério. Além disso, Lucas 2.52 afirma:
Portanto, ao falar de Jesus como Mestre, precisamos evitar uma simplificação. Não estamos dizendo que Jesus precisava aprender aquilo que ensinava no mesmo sentido em que nós precisamos. Estamos reconhecendo que os Evangelhos testemunham seu profundo conhecimento das Escrituras, sua sabedoria e sua autoridade no ensino.
Ele é nosso modelo de fidelidade à Palavra.
Paulo recomenda a Timóteo:
O professor precisa criar uma cultura pessoal de estudo. Isso pode envolver:
Mas o conhecimento não pode se transformar em orgulho. O professor não estuda para provar que sabe mais.
Estuda para servir melhor.
Esdras 7.10 apresenta uma sequência extraordinária:
Primeiro: buscar a Lei do Senhor. Depois: cumpri-la. Então: ensiná-la.
Essa sequência confronta uma tentação do professor: querer ensinar aquilo que ainda não permitiu que a Palavra trabalhasse em sua própria vida.
Não significa que só podemos ensinar aquilo que já praticamos perfeitamente. Se fosse assim, ninguém poderia ensinar.
Significa que o professor precisa ensinar a partir de uma vida que também está sendo formada pela Palavra.
Chegamos à quarta exigência. E talvez aqui esteja o maior perigo de todos.
É possível aprender metodologias. É possível fazer cursos. É possível dominar o conteúdo. É possível preparar excelentes planos de aula. E, ainda assim, perder de vista que o ensino cristão depende de Deus.
O professor participa do processo de ensino. Mas não é o senhor da transformação espiritual. Podemos explicar. Podemos argumentar. Podemos ilustrar. Podemos perguntar. Podemos organizar. Mas somente Deus produz transformação no coração.
Paulo afirma:
Essa imagem é muito importante para o professor. Nós plantamos. Nós regamos. Nós preparamos o solo do ensino. Mas:
O crescimento vem de Deus.
Por isso, precisamos orar.
Jesus nos oferece o exemplo perfeito de dependência do Pai. Marcos registra:
Lucas afirma:
Jesus não tratava a oração como um detalhe. A oração fazia parte de sua vida e de sua missão. Encontramos também sua intercessão pelos discípulos em João 17.
Se Jesus, em seu ministério terreno, viveu em profunda comunhão com o Pai, quanto mais nós precisamos reconhecer nossa dependência de Deus.
A oração do professor não precisa limitar-se a: "Senhor, abençoa minha aula." Podemos orar de maneira muito mais específica.
Isso transforma a preparação da aula em um exercício de dependência.
Agora podemos olhar para as quatro exigências juntas.
Percebam como uma dimensão precisa da outra.
Excelência no ensino é integração.
Não é escolher entre:
Não significa tentar reproduzir literalmente todas as formas utilizadas por Jesus. Não significa que precisamos contar parábolas, andar pela cidade ou repetir cada método utilizado nos Evangelhos.
Significa olhar para Cristo e aprender princípios:
"Ensinar como Jesus" não é copiar técnicas de Jesus; é permitir que o caráter e a missão de Cristo orientem nossa maneira de ensinar.
Começamos esta formação falando sobre identidade. Descobrimos que somos professores chamados para servir. Depois perguntamos: a quem ensinamos? E percebemos a diversidade de pessoas que Deus coloca diante de nós.
Agora chegamos à terceira dimensão: como nos preparamos para esse chamado? A resposta passa pelas quatro exigências que refletimos:
E talvez essa seja a síntese de tudo: o professor da EBD não precisa ser perfeito.
Precisa ser fiel, ensinável, preparado e dependente de Deus.
Excelência não significa fazer tudo perfeitamente.
Excelência significa tratar com seriedade aquilo que Deus colocou em nossas mãos.
Paulo nos lembra:
Que possamos, portanto, sair desta formação não apenas querendo dar aulas melhores. Mas querendo ser professores melhores.
Porque: quando o professor continua aprendendo, a Igreja continua crescendo. E quando o professor reconhece que todo conhecimento, toda capacidade e todo esforço são insuficientes sem a graça de Deus, o ensino deixa de ser apenas uma tarefa e volta a ser aquilo que deve ser:
Um serviço a Cristo e à sua Igreja.
Entregar aos participantes a ficha da plenária e conduzir em silêncio.
Concluir dizendo:
Em seguida, oração final.
Chamados para ensinar. Preparados para servir. Dependentes de Deus.