Quando a vida dos outros parece melhor que a sua

Mulher pensativa olhando para o jardim através da janela.

Você abre o celular de manhã, ainda na cama, e em cinco minutos já viu a viagem que fulano fez, a promoção que beltrana conseguiu, o casamento perfeito de um casal que você nem conhece direito. Fecha o aplicativo e alguma coisa ficou pesada no peito. Você nem sabe explicar o quê, só sabe que, olhando pra sua própria vida agora, ela parece pequena, devagar, sem graça.

Isso tem nome: comparação. E ela não fica só nas redes. Aparece quando você vê o colega de trabalho ser promovido antes de você, quando um amigo casa e você continua solteiro, quando alguém da sua idade já tem o que você ainda está tentando construir. A sensação é sempre parecida: como se sua vida estivesse atrasada em relação a de todo mundo.

O problema é que a comparação nunca mostra o quadro inteiro. Você compara seu dia comum com o momento editado, iluminado e escolhido de outra pessoa. Ninguém posta a dívida no cartão, a briga de casal daquela manhã, a insegurança que ninguém vê. Você está comparando seus bastidores com o palco dos outros.

Tem uma cena na Bíblia que fala exatamente disso. Depois de ressuscitar, Jesus restaura Pedro numa conversa na praia e fala do futuro dele. Pedro, curioso, olha pro discípulo João e pergunta: “e esse, Senhor?” A resposta de Jesus é direta: “Se eu quiser que ele fique até que eu venha, que te importa? Segue-me tu” (João 21:22).

Jesus não responde a pergunta sobre João. Ele redireciona Pedro pro próprio caminho. É como se dissesse: não é da sua conta o chamado do outro, cuida do seu.

Isso muda alguma coisa quando você olha pra sua própria vida. O tempo que Deus está usando pra formar você não precisa ser igual ao tempo que Ele usou pra formar ninguém. A pessoa que casou antes de você não está “na frente”, está só num capítulo diferente. O colega promovido não invalida o processo que está acontecendo com você agora, mesmo que ainda não dê pra ver o resultado.

Três formas de colocar isso em prática essa semana

Escolha a que mais fizer sentido pra sua realidade agora:

  • Se as redes sociais são o gatilho, tente um dia sem abrir o Instagram logo ao acordar. Substitua esse primeiro momento por uma oração curta ou uma leitura da Bíblia, antes de deixar a vida dos outros entrar na sua cabeça.
  • Se a comparação é com alguém específico (um amigo, um colega, um parente), escreva num papel uma conquista sua dos últimos seis meses, por menor que pareça. Comparação cega você pro que já foi construído na sua própria vida.
  • Se o que pesa é o “atraso” (casamento, filho, carreira, casa própria), converse com alguém mais velho na fé sobre o tempo que levou até algo se realizar na vida dele. Quase sempre o caminho de alguém que você admira foi mais longo e mais torto do que parece de fora.

Da próxima vez que aquele aperto no peito aparecer olhando a vida de alguém, vale se perguntar: o que eu estou deixando de ver na minha própria história por estar olhando demais pra história dos outros?

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